Solidariedade anti-imperialista

Pedro Guerreiro -

Responsáveis por todos os grandes conflitos militares da actualidade, os EUA, a NATO, as grandes potências da UE levam a cabo todo um amplo e multifacetado conjunto de operações de desestabilização e de agressão contra estados soberanos

 Entre as linhas centrais da ofensiva do imperialismo, inclui-se o sistemático ataque à soberania dos povos e, particularmente, a estados que, afirmando e defendendo a sua soberania e independência nacionais, representam de alguma forma um factor de contenção à imposição do poder hegemónico do imperialismo, designadamente do imperialismo norte-americano.

 No quadro do aprofundamento da crise estrutural do capitalismo, o imperialismo pretende contrariar o processo de rearrumação de forças à escala mundial, tentando conter e derrotar diversificados processos de afirmação soberana e de cooperação entre estados, que se inserem na luta mais geral dos trabalhadores e dos povos pela efectivação dos seus direitos e soberania.

 Na sua acção desestabilizadora e intervencionista visando obstaculizar e, mesmo, impedir o exercício da soberania nacional, os EUA e as grandes potências da UE, seguidos pelo séquito dos que se lhes submetem, utilizam toda uma panóplia de medidas de carácter político, diplomático, financeiro, económico, militar e ideológico – se possível branqueadas pela instrumentalização de órgãos das Nações Unidas –, quantas vezes flagrantemente violadoras dos princípios da Carta da ONU e pervertendo a legalidade internacional.

 Operações de desestabilização e intervenções que – exacerbando contradições e problemas e instrumentalizando manifestações de descontentamento e sentimentos de indignação – são antecedidas e acompanhadas por amplas e sistemáticas campanhas de manipulação mediática com que procuram diabolizar e isolar as suas vítimas e ocultar os reais objectivos e brutais consequências da sua acção agressiva, visando dificultar a sua denúncia e condenação e obstaculizar a expressão da solidariedade anti-imperialista.

 Para tal, monta-se todo o género de provocações, fomenta-se a deturpação da realidade, a desinformação, provoca-se situações de caos, usa-se ditas ONG, promove-se grupos internos e a sua acção violenta, procurando suscitar uma natural resposta do Estado visado que possa ser utilizada para «justificar» a escalada de ingerência externa – recorde-se as teorias de desestabilização de Gene Sharpe aplicadas em diversos países, como a Jugoslávia, a Líbia, a Síria, a Ucrânia, a Venezuela e que alguns ambicionam utilizar em Angola.

 Responsáveis por todos os grandes conflitos militares da actualidade, os EUA, a NATO, as grandes potências da UE levam a cabo todo um amplo e multifacetado conjunto de operações de desestabilização e de agressão contra estados soberanos. Por todo o mundo se constata a sua escalada de confrontação: das guerras de agressão no Médio Oriente e na Ásia Central à ofensiva desestabilizadora na América Latina, dos processos de desestabilização e recolonização em África ao avanço da NATO para o Leste da Europa, visando a Federação Russa, e à crescente militarização na Ásia e Pacífico, visando a China.

 Não faltam pretextos para justificar a acção ilegal e criminosa do imperialismo: «direitos humanos», «armas de destruição massiva», «luta contra o terrorismo», «combate à corrupção... – os milhões de vítimas, a negação da satisfação das necessidades mais básicas a milhões de seres humanos, o drama de milhões de deslocados e refugiados são testemunho do que as suas operações de desestabilização e agressões efectivamente representam.

 A luta e resistência dos povos face à ofensiva do imperialismo exigem não a associação às suas campanhas de desestabilização e agressão, mas a solidariedade de todos os que defendem a paz e o direito dos povos a decidir do seu próprio destino – aliás, como na Festa do Avante!, que amanhã inicia, se expressará.

 

[Artigo tirado do sitio web ‘Avante’, núm. 2.231, do 1 de setembro de 2016]

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