Recupera-se o discurso velho e estafado dos inimigos internos e externos e dos agentes estrangeiros para abrir caminho à confrontação externa, ao condicionamento político e democrático e à intenção de calar a contestação interna ao militarismo e à guerra
A União Europeia (UE) está numa cavalgada vertiginosa de militarismo, confrontação e guerra. Os responsáveis das instituições da UE são protagonistas políticos destacados num processo determinado (e comandado) por grandes grupos económicos e financeiros. A começar pelas multinacionais da indústria do armamento mas não se limitando a elas.
O Parlamento Europeu votou na sessão plenária de Setembro um conjunto de iniciativas - incluindo um pacote de desregulação legislativa - que é ilustrativo do ponto em que está esta vertigem belicista.
Fala-se de paz e segurança para instigar a guerra.
Fala-se de “ameaças híbridas” para misturar incursões de drones, violações do espaço aéreo, sabotagem de infra-estruturas críticas com ciberataques, fogo posto e instrumentalização das migrações. A partir dessa mistura promove-se um ambiente de preparação geral para a guerra a que não escapa praticamente nenhum sector ou domínio da vida nacional.
Recupera-se o discurso velho e estafado dos inimigos internos e externos e dos agentes estrangeiros para abrir caminho à confrontação externa, ao condicionamento político e democrático e à intenção de calar a contestação interna ao militarismo e à guerra.
As medidas legislativas não deixam margem para dúvidas. O sentido é o da abertura de uma autoestrada de facilidades ao negócio do militarismo para que tudo ande com menos controlo, de forma mais rápida e mais lucrativa.
Criam-se procedimentos acelerados de licenciamento industrial para a produção de armamento. Eliminam-se exigências e critérios sociais e ambientais, bem como requisitos para avaliações exaustivas, ao mesmo tempo que é criado um mecanismo de aprovação tácita ao fim de 50 dias.
Permite-se o financiamento de empresas altamente lucrativas e facilita-se o desvio, para esse fim, de recursos públicos e o acesso a fundos europeus ao mesmo tempo que se diminui a possibilidade de escrutínio público do destino e uso que lhes é dado. Não bastando a constatação de que os gastos militares na UE aumentaram 80% em 5 anos assume-se querer preparar o “terreno” para receber gastos militares até 800 mil milhões de euros nos próximos quatro anos.
Abrem-se os cofres do Fundo Europeu de Defesa (FED) à Ucrânia e, em contrapartida, identifica-se o território ucraniano como espaço privilegiado de ensaio do material militar produzido na UE e financiado pelo FED. O interesse em prolongar a guerra que se trava naquele país fica assumido com força de lei e directamente associado aos proveitos económicos que dela retira o complexo industrial-militar.
Alargam-se as isenções de autorização prévia para as transferências transfronteiriças intra-UE de material militar e estendem-se as possibilidades de contratação pública para aquisições dessa natureza.
Quem lucra com a guerra quer que esta seja uma cavalgada imparável. Lutar para a travar é a exigência imediata que está colocada aos povos, em defesa do seu futuro e dos seus direitos.
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Fonte: https://www.avante.pt/pt/2756/europa/185210/Travar-a-cavalgada-da-UE-para-a-guerra.htm?tpl=179
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[Artigo tirado do sitio web portugués ODiario.info, do 25 de setembro de 2026]